domingo, 6 de outubro de 2013

Pintura Pecado Redimido _Outubro 2013


Pintura em acrílico sobre Tela
Título : Pecado Redimido 
Autor: Jorge Ganito 
Data: Outubro de 2013




Pavimento exterior da ermida de S. Tiago



A_ Apresentação do problema

A queda da cobertura da nave, da igreja, durante o nefasto terramoto de 1755, veio transformar para sempre, e de forma profunda a espacialidade interior da  igreja. A nave  que era um espaço interior e fechado ao mundo como é normal e comum, torna-se assim num espaço exterior tipo pátio/adro da capela mor. Transição entre o profano e o sagrado.
Ao contrário do que aconteceu com diversas igrejas que sofreram o mesmo tipo de danos no terramoto, a nave da igreja de S. Tiago nunca chegou a ser  reedificada. Deste modo, ficou para sempre como uma nave aberta aos céus e resguardada do mundo; nunca perdendo realmente a sua verdadeira identidade espacial enquanto espaço de ligação entre o Homem e Deus.
Com o passar dos anos e, das gerações, os homens foram dessacralizando o espaço, perdendo o mesmo  parte do cariz de nave e tornando-se  mais num adro descuidado e descaracterizado da capela de S. Tiago.

C_ Potencialidades do lugar.

O espaço da antiga nave coberta pelo humano, deu lugar a um espaço aberto ao firmamento pela força brutal da natureza.
A força natural originou um espaço profundo e propicio para a reflexão e o encontro do Homem consigo e com o divino na oração, como os antigos claustros isolado e protegido do profano ao mesmo tempo que é aberto aos céus da criação.
Mais do que um adro da capela, acredito que este espaço é e será sempre verdadeiramente a nave da igreja de Santiago, e será essa a essência a recuperar e revelar na hora de pavimentar o espaço.

A estratégia a optar na hora de pavimentar este espaço deveria desde logo ter em atenção
1-A intervenção deveria respeitar e valorizar o edifício histórico da capela de forma a ser uma mais valias para o mesmo e não o contrário.

2-Deveria ser uma intervenção com uma linguagem contemporânea mas integrada no conjunto seguindo os preceitos recomendados pelas diversas cartas do património( Atenas 60; Bruxelas; …)de forma que o licenciamento da obra e sobretudo a valorização e dignificação do património seja conseguido; não levantando questões sobre a identidade e época da intervenção.

3-A proposta deveria ter como premissa fundamental a ré-sacralização do lugar tendo em conta o cariz sagrado de todo o edifício.

4-Seria necessário ter em conta a manutenção futura do espaço e de a mesma  ser simples  e pouco necessária ao longo do ano.

5-A formas ornamentais a introduzir no pavimento deveriam ser simples de fácil e rápida execução tendo em conta a economia da obra futura.

...

D_ Intervenção proposta.

Tendo em conta as premissas anteriormente enunciadas a primeira ideia que surgiu foi marcar o pavimento com um símbolo sagrado de fácil compreensão, para qualquer ser humano, mais ou menos culto.
A Cruz símbolo e marca por excelência do Cristão; foi o signo desde logo escolhido para a marcação espacial. Como é uma igreja dedicada ao apóstolo Santiago a cruz inicialmente escolhida foi a cruz de Santiago.
Como um das premissas fundamentais  era a o utilização de formas simples e de fácil execução. Foi assim decidido “purificar” a forma da cruz original de Santiago, para uma forma mais pura e geométrica da cruz.
Para a execução / criação da forma geométrica foram utilizadas relações geométricas tradicionais e frequentes na arquitectura religiosa católica medieval. Deste modo a cruz foi construída através da relação de 12 círculos entre si. Simbolizando cada circulo um apóstolo e por continuidade apostólica a igreja enquanto comunidade de fiéis.
 Após ter sido encontrada a forma da cruz, foi decidido propor que a cruz fosse realizada com lajetas de mármore serrado ou amaciado em vez de em calçada.
Isto porque a calçada é um tipo de pavimento normalmente associado a passeios públicos ou espaços de uso comum e profano, para “sacralizar” e marcar o espaço, julga-se ser apropriado, utilizar um material mais cuidado e nobre...




esquiço /estudo (@ Jorge Ganito)
...
A estratégia escolhida passou por aumentar ligeiramente a área da actual zona pavimentada e impermeabilizada com a betonilha, tornando-a num espaço mais confortável em termos dimensionais e ao mesmo tempo mais interessante em termos de materialidade. Sendo proposto para a maior parte da área a utilização da calçada tradicional da região em pedra mármore, sendo excepção a cruz central em lajetas de pedra mármore de acordo com a descrição feita anteriormente.
Nas laterais da zona pavimentada é sugerida a colocação de duas caleiras feitas com lajetas de mármore branco(15cm de largura por 30 de comprimento a 3 de espessura podendo levar um furo 2cm no centro )que sejam separadas entre si cerca de 2 a 2,5cm de forma a permitir a entrada da água. No fundo do adro junto aos bancos é proposto uma outra caleira de reunião de águas que por sua vez terá ligação subterrânea com as águas pluviais públicas. (Para se perceber o funcionamento do escoamento das águas deve-se ver o desenho nº10)

Na lateral é proposta a criação de um espaço permeável onde seja inserida alguma vida vegetal entre as 12 lajetas de pedra mármore branco simbolizando cada uma delas um apóstolo. Para reforçar o simbolismo das lajetas é sugerido que seja gravado em cada uma delas uma frase do evangelho. O espaço permeável entre as lajetas inicialmente pensado seria relva, e entre as distintas peças poderia ser plantada uma roseira ou uma videira. Como a relva exige alguma manutenção e para não se correr o risco de aquele espaço ficar como terra árida sem tratamento, sugere-se a colocação de uma fina camada de brita miúda (diâmetro 20 ou 30mm) de mármore lavada sobre a terra; sendo possível e aconselhável fazer a plantação de roseiras e videiras. 


esquiço do autor  e excerto da memória descritiva do projecto 



 Desenhos, projecto e Fotografias da obra concluída
 de Jorge Ganito 
 ( o texto e imagens deste artigo possuem direitos de autor Jorge Ganito@2013)



Nota final:
O  principal motor  e a ideia desta obra foi da Confraria da Santíssima Trindade de Vila Viçosa que conjuntamente com a paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, tendo a obra sido realizada também graças ao apoio das identidades públicas locais nomeadamente da junta de freguesia.

 Informações complementares em jganitoarquitecto.blogspot.pt 

domingo, 7 de abril de 2013

------ de Tróia



------ de Tróia( desenho Jorge Ganito)
Estudo de vitral realizado numa tarde de lágrimas celestes ao domingo

domingo, 20 de janeiro de 2013


"...o sonho é ver as formas invisíveis
da distância imprecisa, e, com sensíveis
movimentos da esperança  e da vontade,
buscar na linha fria do horizonte 
a árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte-------
Os beijos merecidos da Verdade."

O regresso ao desenho-noite de Sábado 19.01.2013. ( autor do desenho Jorge Ganito)
Excerto do poema : Horizonte do livro  A mensagem do poeta  Fernando Pessoa

domingo, 22 de julho de 2012

Origem do Vício

"(...) o espelho primeiro foi instrumento do conhecimento próprio, e depois do amor-próprio, que é a raiz de todos os vícios." (S,III,324)

PADRE ANTÓNIO VIERA ( pensamento extraído do livro- Padre António Viera Grandes Pensamentos- coord. por José Eduardo Franco.

domingo, 1 de julho de 2012

Procura do Pensamento


ABSTRACÇÃO: N.F. 1-ACTO OU EFEITO DE ABSTRAIR(-SE). 2-OPERAÇÃO INTELECTUAL  NA QUAL O  OBJECTO DE REFLEXÃO É ISOLADO DOS FACTORES QUE LHE ESTÃO ASSOCIADOS  NA REALIDADE CONCRETA. 3- IDEIA ABSTRACTA OU AFASTADA DA REALIDADE.

EXPRESSÃO: N.F. 1-ACTO DE EXPRIMIR. 2-MODO DE  SE EXPRIMIR. 3 PALAVRA (S) QUE FORMA(M) UM NÚCLEO LEXICAL; EXPRESSÃO IDIOMÁTICA EXPRESSÃO COM SENTIDO  PRÓPRIO QUE NÃO PODE SER INFERIDO  A PARTIR DO SENTIDO  DAS PARTES QUE A CONSTITUEM 4. REPRESENTAÇÃO DO VALOR  DE UMA QUANTIDADE  EM FORMA ALGÉBRICA.

REPRESENTAÇÃO: N.F. 1-ACTO DE REPRESENTAR. 2 IMAGEM, DESENHO OU PINTURA QUE REPRESENTA ALGO OU ALGUÉM. 3- FIGURAÇÃO  MENTAL. 4-ESPETÁCULO TEATRAL; SIN. ENCENAÇÃO. 5 INTERPRETAÇÃO  DE UM PAPEL NO CINEMA, NO TEATRO OU NA TELEVISÃO SIN. ACTUAÇÃO. 6- CONJUNTO DE REPRESENTANTES; SIN. DELEGAÇÃO.



Fotográfia do quadro:
 Significação
Convite ao pensamento
 
- ( Técnica mista: Acrílico , balsa e papel sobre tela; ano de 2012)
* os significados das palavras tiveram como base o dicionário da Língua Portuguesa da  porta Editora edição Abril de 2010
-  Pintor: Jorge Ganito

 

 

terça-feira, 26 de junho de 2012

E. vs. C.

"Escreveu Moisés a história do princípio e criação do Mundo, ignorada até aquele tempo de quase todos os homens. E com que espírito a escreveu? Respondem todos os Padres e Doutores que com espírito de profecia. Se já no Mundo houve um profeta do passado, porque não haverá um historiador do futuro? Os profetas não chamaram história às suas profecias, porque não guardam nelas estilo nem leis de histórias: não distinguem os tempos, não assinalam os lugares, não individuam as pessoas, não seguem a ordem dos casos e dos sucessos, e quando tudo isto viram e tudo disseram, é envolto em metáforas, disfarçado em figuras, escurecido com enigmas e contado ou cantado em frases próprias do espírito e estilo profético, mais acomodadas à majestade e admiração dos mistérios, que à notícia e inteligência deles."

Padre António Viera in história do futuro livro anteprimeiro

sábado, 17 de março de 2012

Le.Corbusier.-..The.Cloister.La.Tourette

Uma das mais belas defenições de Arquitectura que já li encontra-se no livro " O nome da Rosa " do escritor Umberto Eco, no fim da prima Hora do Primeiro Dia.

"Porque a Arquitectura é entre todas as artes aquela que mais ousadamente procura reproduzir no seu ritmo a ordem do universo, que os antigos chamavam Kosmos, isto é, ornado na medida em que é como um grande animal sobre o qual refulge a perfeição e a proporção de todos os seus grandes membros. E louvado seja o Nosso Criador que, como diz Agostinho, estabeleceu todas as coisas em número peso e medida"

Umberto Eco in o nome da rosa; ( tradução Maria Celeste Pinto ) coleccção mil folhas- público, Pag.28- Maio de 2002


La Tourette
Existem obras Arquitectónicas, que tenho um profundo desejo de conhecer verdadeiramente, isto é situ.Pois apenas no edificío é possível ir conhecendo a obra.
Os desenhos, fotográfias e os videos, ajundam e muitas vezes a estabelecer pré-conceitos, ideias formais em relação a uma determinada obra de arquitectura, mas na relação com desenhos, fotose videos sendo possível conhecer a forma e impossível vivênciar a espacialidade, sentir o ambiente num determinado contexto espaço-tempo.

Uma dessas obras por diversos motivos é o convento de La Tourette, um projecto do arquitecto Suiço naturalizado Francês Le Corbusier.
No inicio do século, sensivelmente na altura em que li pela primeira vez o nome da rosa, e em que iniciava o meu secundário indeciso entre pintura, arquitectura e a vida de militar, vi pela primeira vez uma série de documentários sobre obras de arquitectura de determinados arquitectos em espanhol na TVE2, e um desses documentários foi este. Talvez tenha influênciado a "louca" opção de seguir Arquitectura como caminho.




Nem passaram 10 anos; parece que foi noutra era. Onde a internet era rara e cara ligada ao telefone, estando sempre a cair.

sábado, 3 de março de 2012

Cheio e Vazio

" Reunimos trinta raios e os chamamos de roda;
Mas é do espaço onde não há nada
que a utilidade da roda depende.
Giramos a argila para fazer um vaso;
Mas é do espaço onde não há nada
que a utilidade do espaço depende.
Perfuramos portas e janelas para fazer uma casa;
e é desses espaços onde não há nada
que a utilidade da casa depende.
Portanto, da mesma forma que nos aproveitamos daquilo que é,
devemos reconhecer a utilidade do que não é."

Lao-Tzu
Tao Te Ching - Século VI a.c



Centro de Interpretação dos Capelinhos - Projecto de Arquitectura do Arq. Nuno Ribeiro Lopes

sábado, 18 de junho de 2011

O Tempo e A Forma

“Toda a obra de arte é filha do seu tempo e, muitas vezes, a mãe dos nossos sentimentos.
Cada época de uma civilização cria uma arte que lhe é própria e jamais se verá renascer. Tentar ressuscitar os princípios da arte dos séculos passados só pode conduzir à produção de obras abortadas.
Assim como é impossível fazer reviver em nós o espírito e as formas de sentir dos antigos Gregos, todos os esforços tentados no sentido de aplicar os seus princípios – por exemplo, no domínio da plástica – apenas levarão ao aparecimento de formas semelhantes às gregas. A obra assim produzida jamais possuirá uma alma. Esta imitação assemelha-se à dos macacos. Na aparência , os seus movimentos são iguais aos dos Homens: o macaco senta-se, debruça-se sobre um livro, folheia-o com um ar grave. Mas esta imitação não possui qualquer significado”
…

Kandinsky, Wassily ; Do Espiritual da Arte, pag21; 8ª edição; 2010,Publicações D. Quixote; Alfragide, Portugal

Aqueles que carregam a cruz da expressão artística, um dia, mais cedo ou mais tarde, são confrontados no seu íntimo , como uma série de questões.
Uma dessas questões é o tempo na formalização da manifestação artística.

Toda a manifestação artística, apenas existe a partir do momento em que a mesma é materializada numa forma, é na forma que o conteúdo fica aprisionado e é revelado.
É a forma, em última instância, o meio de comunicação da significação e da revelação da obra, enquanto entidade com identidade própria perante o sujeito que confronta.
A experiência artística é em grande medida uma relação de confrontação, de um sujeito, com ou perante uma determinada materialização artística numa forma. Quando falámos em forma, falámos em algo mais do que matéria ou massa física. Podemos considerar como materialização formal de uma ideia, existências concretas tão distintas como; a pedra de uma escultura, a sequência rítmica de palavras e significados de um poema escrito ou declamado, ou a sequência de sons de uma composição musical…e por ai adiante.

A reflexão anterior sobre a forma, surge neste contexto apenas como uma breve introdução, para facilitar a compreensão da reflexão sobre o texto, de Kandinsky.
Aqueles que leram o livro, de onde foi retirado o excerto, sabem que o autor ao longo do seu livro apela, aos artistas para a procura da alma e da essência verdadeira da arte. Essa essência da verdade artística, é necessária para a construção do próprio Homem enquanto ser . O autor não se apresenta como sendo contra a arte do passado, é sim, contra a imitação simples e vazia da mesma, é deste modo contra uma “arte” simplista baseada na aparência das formas e não na essência das mesmas. Defendendo uma arte de essência baseada no espírito do tempo, onde forma deve a revelar ao Homem moderno a sua natureza profunda e espiritual através da arte. O autor diz ter morrido com a modernidade a criação dessa arte de verdade tendo surgido uma arte de imitação, que vai contra a própria tradição que muitas vezes diz salvaguardar.
É de destacar o contexto do inicio do século XX , época em que o texto foi escrito; pois o próprio texto obviamente revela as ânsias e questões do seu tempo.

Nessa época como hoje em dia de certo modo, as rápidas mudanças sóciais e culturais da civilização ocidental originou uma arte vigente de massas essencialmente de maquilhagem de formas mais do que de essências, isto é obras mais que abortadas, eu diria Travestidas, isto é aparentam ser uma coisa, quando na realidade são outra.
Para tal basta imaginar um edifício que no seu exterior parece um magnifico templo Grego de Mármore, quando na verdade é um esqueleto de betão revestido com outro material. Mas essa arte de maquilhagem vai muito para além da questão material, melhor a questão material é secundária, pois a verdadeira questão sim é a dimensão espiritual da obra e ai é que conceito de arte de maquilhagem ou arte da aparência começa a complicar , pois vai ao mais profundo significar da obra.

Após o que foi dito, anteriormente, seria de certo modo legitimo pensar que a obra que imita o passado é desde logo vazia de significação, enquanto a obra que procura a originalidade e as formas do tempo dito moderna, é por si só cheia de significação e essência.
Infelizmente não é assim, a própria obra rebelde que procura marcar o presente com uma ideia de modernidade , pode facilmente, cair num vazio e numa maquilhagem formal, que apenas procura a atenção e resaltar o indíviduo. Esse tipo de arte pode revelar-se incapaz na sua singularidade comunicar com o outro sujeito e ser uma arte de exaltação do indíviduo individualista e condenada ao ego do seu criador.
Para haver comunicação e mesmo interpretação é necessária a existência de uma linguagem minimamente perceptível que possibilite a comunicação entre a obra e o sujeito.
Por tanto julga-se extremamente necessário na procura da essência do espírito do tempo, ter em atenção o facto de o ser humano, ser um ser simbólico, comunitário e que possui no seu ADN espiritual a ideia de tradição e memória, deste modo a forma nova deve ter em atenção que parte sempre da forma velha, para assim poder aspirar a tornar-se em verdadeira forma artística que possibilite a verdadeira expressão/comunicação de essências através da arte….

Assim finalizo este provocar de reflexão, pois este texto não quer ser em sim a reflexão final sobre o tema, mas sim apenas o inicio uma provocação para …


domingo, 13 de março de 2011

Uma boa reportagem.

Hoje por mero acaso encontrei um artigo no site do secretariado nacional pastoral para a cultura da igreja católica, a reflectir sobre a arquitectura relgiosa contemporânea.
Vale a pena ver o vídeo, eu ha mais de um ano partecipei na conferência, e exposição sobre os trabalhos dos arquitectos alemães; enfim mais do que um momento de reflexão tornou-se mais uma conferência de exposição dos obras dos arquitectos alemães onde a parte mais interessante foi sem dúvida a introdução e reflexão do Bispo D. Carlos Azevedo no inicio, infelizmente tive de sair mais cedo e não assisti a mesa redonda final com o Padre D. Tolentino de Mendoça que curiosamente era o meu colega do "lado" durante a conferência pois estava sentado mesmo ao meu lado direito.


http://www.snpcultura.org/tvb_arquitectura_religiosa_portugal.html

domingo, 2 de janeiro de 2011

Fátima o projecto Utópico

Há cerca de 3 anos, recordo ouvir o Arquitecto Siza Viera dizer numa conferência, que nos concursos normalmente o projecto que fica em segundo lugar é o mais interessante em termos de reflexão arquitectónica em termos teoricos, mas que tende a ser demasiado utópico para ser vencedor e por consequência construído.


Pessoalmente concordo com mestre; também penso que os concursos de arquitectura são normalmente uma faca de dois gumes.E não a salvação da Arquitectura como já ouvi alguns colegas da minha geração falarem, respeito a sua opinião, mas...


É verdade que a atribuição de um projecto através de concurso em teoria abre a porta a vários arquitectos pensarem sobre um determinado problema e dai resultam várias propostas que permitem uma visão mais abragente do problema em questão. Em segundo lugar os concursos também dão a oportunidade de arquitectos com mais ou menos renomene, idade ou experiência procurarem uma oportunidade de trabalho, e realizar obra. De uma forma geral na minha opinião pessoal são estes os aspectos positivos da atribuição de um projecto a partir de um concurso.


Por outro lado julgo que existe um outro lado, começando normalmente nos prazos e intenções do concurso, normalmente os prazos são irrealistas e não permitem um conhecimento do programa e do lugar minimamente decente, os objectivos dos concursos também julgo serem normalmente irrealistas e prejudiciais na procura de um bom projecto de arquitectura, pois um concurso que peça a definição de um projecto para além do ante-projecto, ou no máximo a escala do licenciamente. Julgo que nos concursos que pedem mais que isso, existe a exclusão quase total do diálogo entre dono de obra e Arquitecto. A arquitectura não é feita para sastifazer apenas o arquitecto mas sim e especialmente a necessidade conhecidas e desconhecidas dos próprios habitantes.


Já me alonguei um pouco sobre o assunto dos concursos, mas afinal em verdade foi uma conversa sobre concursos que me fez recordar a frase do Arquitecto Siza Viera e sobretudo este projecto do Arquitecto Gonçalo Byrne.


O projecto da recente Igreja da Santíssima Trindade em Fátima assim como a envolvente do espaço público, foi alvo de um concurso. Tal concurso e sobretudo o desenvolver de todo o processo de construção foi levantando as suas Paixões, como é natural nestes casos.


O projecto vencedor do Concurso internacional e posteriormente construído é da autoria do Arquitecto Grego Alexandros Tombazis e o projecto que ficou em segundo lugar é da autoria do Arquitecto Português Gonçalo Byrne ( em baixo deixo imagens do mesmo).


Quando vi ambos os projectos em imagens (Arquitectura não são simples imagens ou representações gráficas codificadas mas sim edifícios construídos) a minha preferência pessoal, (baseada do meu conhecimento do local tendo com base o facto de lá ir basicamente todos os anos desde que me lembro ser pessoa) foi para o projecto que ficou em segnudo lugar, mas sempre compreendi a escolha do outro projecto por ser mais fácil de construir, pelo menos em termos burocráticos pois não implicava enterrar em tunel uma via de circulação.


Mas em termos de ideia de Arquitectura e de conjunto urbano e inter-relação entre os diversos espaços públicos o projecto que ficou em segundo lugar era muito mais eficaz na unificação e agregação de diversos momentos criando uma certa ideia de pecurso iniciático poético e espiritual, ao mesmo tempo que respondia a um dos grande problemas arquitectónicos de Fátima que são os conflituos entre a Fátima do Santuário(Sagrada) e a Fátima cívil(profana) que cresceu de forma algo caótica.


Com este breve artigo não estou a dizer obviamente que o projecto vencedor não tenha qualidades e que este não tenha defeitos, esta análise geral não possui a intenção de julgar nada nem ninguém, apenas ser um convite a reflexão por um lado e a simples expressão de uma opinião por outro.


Afinal apenas a igreja do Arquitecto Tombazis pode ser chamada Arquitectura pois apenas ela construída, as imagens que deixo em baixo são simplemente imagens de um projecto, bastante úteis para os interessandos reflectirem.


Figura 1 Vista geral da Maquete


Figura 2 distintas vistas da Maquete


Figura 3 planta geral da Proposta







Figura 4 Planta da Igreja

Todas as imagens foram retiradas da revista +arquitectura 014 de junho de 2007

Ao longo dos próximos dias se tiver oportunidade irei transcrever o texto/memória descritiva que acompanha as imagens na publicação anteriormente enunciada como fonte das imagens.



Imagens retiradas pelo google imagens que mostram o corte pela Igreja em Maqueta
A igreja em planta é caracterizada por uma forma a tender para o quadrado, estando o altar relativamente centrado num do lados ( sensivelmente de frente para o altar da Basilica) O espaço do altar é marcado por um pé direito superior em relação ao restante espaço da assembleia, esse espaço é claramente visivel no exterior através da presença de um volume que é vísivel na maquete. O espaço da Assembleia parece possuir como principal característica uma iluminação natural singular atráves de um ritmo de clarabóias.






Legenda: 1-altar; 2-Assêmbleia; 3-Coro ou lugar dos sacerdotes, não tenho certeza

BOM ANO NOVO DE 2011












sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Gaudí - O arquitecto de Deus

Antoni Gaudi, foi sem dúvida um arquitecto singular, tanto no seu percurso biográfico como na sua Obra.
Pessoalmente acho desconcertante e até mesmo perturbante a sua obra, lidas de forma simplista estas palavras podem parecer negativas; mas na realidade é o lado positivo da minha admiração pela sua obra que mal conheço em verdade e profundidade.
Acredito que conhecer uma determinada obra, não se limita apenas ao saber da sua história. Ler, ver e interpretar tanto palavras como desenhos, são aspectos importantes para conhecer a obra mas não são os mais importantes.

O mais importante é habitar e dialogar com a obra, vivenciar e habitar o espaço em situ e sobretudo é conhecer a obra a partir da própria obra, não existe melhor professor de arquitectura que o próprio edifício/obra.
Mas tal como acontece com as pessoas os edifícios não se conhecem apenas com um encontro e eu infelizmente não tenho a possibilidade de ter muitos encontros com a obra de Gaudi.
Ontem no meu dia de aniversário por acaso tive um encontro com uma série documental sobre a obra deste mestre, cuja obra me perturba e desperta admiração pela sua singularidade.
















sábado, 11 de dezembro de 2010

Forma e espaço

"Reunimos trinta raios e os chamamos de roda;
Mas é do espaço onde não há nada
que a utilidade da roda depende.
Giramos a argila para fazer um vaso;
Mas é do espaço onde não há nada
que a utilidade do vaso depende.
Perfuramos portas e janelas para fazer uma casa;
e é desses espaços onde não ha nada
que a utilidade da casa depende.
Portanto, da mesma forma que nos aproveitamos daquilo que é,
devemos reconhecer a utilidade do que não é"




Lao-Tzu
Tao Te Ching século VI a.C.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reflexão Formal


A forma arquitectónica ou artística é sempre o resultado da confluência e relação de diversos factores, assim sendo a forma do "objecto" é o principal meio de comunicação e interacção do mesmo com os diversos sujeitos que são confrontados com o mesmo. Com isto quero dizer que para o bem e para o mal, tanto as manifestações artísticas como arquitectónicas estão "condenadas" a sua condição formal, mesmo numa abordagem mais fenomelógica ao objecto.



A forma é uma luz que vai surgindo iluminando e relevando aos poucos a procura da verdade e do sentido das ideias e idiais do ser Humano. A arquitectura não é uma ideia formal . A forma é que se vai construir em si como a materialização de uma ideia arquitectónica.


A arte e a arquitectura não partem em si mesmo de formas concretas ou de jogos abstractos formais ( embora nos dias de hoje tal seja possivel e frequente) mas terminam por se materializar em formas que nas suas relações com o ser Humano( sujeito observador) vão condicionar e orientar a sua fruição das mesmas. Mas julgo que antes da forma material, mais ou menos concreta que é possivel de descrever objectivamente, existem as formas simbolicas ou culturais e as formas construtivas e que é da junção destas duas formas com o contexto e o eu do "criador" vão originar a forma objectiva e sensivel do objecto em questão.


A forma cultural ou simbólica é compreendida de certo modo como a tradição simbolica e cultural de um determinado povo ou sociedade, que durante a sua evolução sócio-cultural fez corresponder a determinados signos um determinado significado e que a sua compreensão tende a ser global dentro de determinada comunidade humana.

A forma construtiva como nome indica é uma forma relacionada com os aspectos construtivos da obra que possuem consequências formais.

sábado, 7 de agosto de 2010

Folha em Branco

"FOLHA EM BRANCO

Uma folha em branco
É uma ideia intacta
Que implora eternidade!
Eternizá-la
É continuar o mistério da criação
Gesto simples de mão pura
Que une Criador e criatura."


(poema retirado do livro: Terra Prometida; Oliveira, Pa. Mário Tavares de; Imperitura -Alcalá e Régia Confrária Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Vila Viçosa 2008)


O vázio da folha em branco desperta ( pelo menos em mim enquanto " criador") uma dualidade de sentimentos. Por um lado a possibilidade de expressar algo, o ponto de partida para a materialização de uma ideia abstracta mais ou menos pensada para uma forma mais concreta e materializada; por outro lado a folha em branco pode ser tenebrosa na sua brancura, o vázio que encerra em si todo o caos e toda a ordem que o primeiro traço vai instaurar e revelar.

O acto de escrever e desenhar é em si mesmo um acto de continua expressão e revelação, pois o traço passado irá condicionar o traço futuro assim como a palavra passada irá condicionar a palavra futura e assim formar um todo a partir da relação das partes.

Mas tudo começa com uma folha em branco que pode não ser uma folha....

No passado pintava e desenhava constantemente como uma necessitadade constante adolescente e individual, pintava por pintar sem intensão ou significado. Necessidade egoista e pessoal á qual não me atrevo a chamar arte, pois julgo nada dizer nessas obras...
Depois surgiu a Arquitectura e a formação de academia que afinal é o que é a faculdade, existe uma educação de gosto e sobretudo o despertar de consciências, a dimensão social, educadora da arte e a utilidade da arquitectura que devem superar o eu e o seu ego.
5 anos e os pinceis adormecem em mim. Nova cidade, novos habitos, nova vida, deixo o rural e abraço o urbano, por fim regresso e reencontro os pinceis, mas já não sou o mesmo, não sendo no entanto outro.

sábado, 10 de julho de 2010

Preâmbulo

" 1.Tendo sido lançado à costa de Rodes num naufrágio, o filósofo socrático Aristipo, ao descobrir esquemas geométricos na praia, teria exclamado para os companheiros, segundo se conta: « Tenhamos esperança! Vejo sinais de Homens». Imediatamente se pôs a caminho da cidadee dirigiu-se ao ginásio onde, disputando sobre temas filosóficos , foi cumulado de presentes, de tal modo que não só resolveu as suas dificuldades como também prestou auxílio, aos que haviam naufragado com ele, em roupas e outras coisas de que necessitavam para sobreviver . Como, porém, os seus companheiros quisessem voltar à pátria e lhe perguntassem se queria enviar alguma mensagem para a sua familia, pediu-lhes que dissessem o seguinte: «Convém oferecer aos filhos bens e equipamentos de viagem que, em caso de naufrágio, possam igualmente salvar-se a nado com eles» "

Excerto retirado de: ( pag 219 livro VI) Vitruvvii decem Libri -Vitrúvio tratado de Arquitectura sec. I a.c. ; tradução e introdução/ notas por M. Justino Maciel, edição IST Press, 2006